Parabéns
Situada no município de Bom Jesus da Lapa, entre o rio São Francisco e o rio das Rãs, a comunidade remanescente de quilombo Rio das Rãs teve seu território titulado pela Fundação Cultural Palmares no ano de 2000 com 272 mil hectares.
Dia 07 de maio próximo é o lançamento do livro “História da Cazumbinha“, na Livraria Cultura, em Salvador.
Leia mais sobre a comunidade:
http://www.cpisp.org.br/comunidades/html/brasil/ba/ba_ras.html
Folclorização da cultura*

Cuidados – por um olhar mais complexo e questionador
Estaremos lidando com uma matéria-prima fascinante e delicada: a cor da nossa cultura, a memória dos nossos ancestrais e suas heranças, tão longamente invisibilizadas. Todo cuidado será sempre pouco para não resvalarmos pelas trilhas aparentemente fáceis do maniqueísmo, da simplificação e da folclorização. Vamos pensar na prevenção desses perigosos males que podem enfraquecer nossa percepção e nos distanciar dos nossos objetivos. Alguns desses cuidados podem parecer óbvios, mas, muitas vezes, o aparentemente óbvio merece ser revisto e revisitado, para refletirmos sobre ele.
BRANCOS E NEGROS, SERES HUMANOS
Os africanos e seus descendentes nascidos da diáspora no Novo Mundo (as Américas, incluindo o Brasil) eram seres humanos dotados de personalidade, desejos, ímpetos, valores. Eram também seres contraditórios, dentro da sua humanidade. Tinham seus interesses, seu olhar sobre si mesmos e sobre os outros. Tinham sua experiência de vida – vinham muitas vezes de sociedades não-igualitárias da África, ou nasciam aqui em plena escravidão. Não há como uniformizar atitudes, condutas e posturas e idealizar um negro sempre ao lado da justiça e da solidariedade. O que podemos e devemos ressaltar são os exemplos desses valores de humanidade, presentes em muitos, e injustamente negados e tornados invisíveis pela sociedade dominante, durante tanto tempo. Mas sugerimos, veementemente, evitar dividir o mundo em “brancos maus” e “negros bons”, o que não nos ajuda a perceber o caráter complexo dos grupos humanos. Pretendemos valorizar o positivo, mas sem idealizar.
UM RACISMO ENVERGONHADO
O nosso desconhecimento sobre a História e a cultura dos africanos e dos seus descendentes no Brasil e nas Américas pode fazer muitas vezes com que optemos por utilizar esquemas simplificados de explicação para um fenômeno tão multifacetado quanto a construção do racismo entre nós.
O racismo é um fenômeno que influiu e influi nas mentalidades, no modo de agir e de ver o mundo. As diferentes sociedades interagiram com ele de diversas maneiras – o Brasil não tem a mesma história de relações raciais que os Estados Unidos, para usar um exemplo clássico. No entanto, durante muito tempo se defendeu a idéia de que aqui não havia discriminação e, ainda, que o que separava as pessoas era “apenas” sua condição social.
Hoje, não só vemos pelos dados da demografia da pobreza brasileira que ela tem uma inequívoca marca de cor, como sabemos que um olhar mais atento à História e à vida dos afro-descendentes no país revela a nossa convivência permanente com o preconceito e seus efeitos perversos. Mas, para poder enxergar isso, tivemos que ouvir relatos, ver dados e entender como foi essa História. Só assim pudemos desnaturalizar as desigualdades e ver a face hostil do nosso “racismo envergonhado”. O que isso quer dizer? Que devemos nos dedicar ao tema: estudar, ler, nos informar, sempre e mais.
A SOFISTICAÇÃO DA CULTURA NEGRA BRASILEIRA
Estamos acostumados a ver as manifestações culturais de origem africana confinadas ao reduto do chamado “folclore”. Esse conceito de folclore que remete a tradições e práticas culturais populares não tem em si qualquer aspecto que o desqualifique, mas o olhar que foi estabelecido sobre o que chamamos de “manifestações folclóricas”, sim. E, sobretudo no mundo contemporâneo, em que a modernidade está repleta de significados positivos, o folclore e o popular se identificam não poucas vezes com o atraso – algo curioso, exótico, porém de menor valor. Logo, se não problematizarmos a inserção da cultura africana neste registro, correremos o risco de não criar identidade nem estimular o orgulho de a ela pertencer. Podemos desmistificar a idéia de folclore presente no senso comum e também mostrar, com o auxílio luxuoso dos programas, o quão complexa e sofisticada é a nossa cultura negra brasileira. Envolve saberes, técnicas e toda uma organização mental para ser elaborada e se expressar. E, assim como nós, está em permanente mudança e não é nada óbvia.
* Texto adaptado.
Fonte:
Saberes e fazeres, v. 2: modos de sentir. Rio de Janeiro: Fundação Roberto Marinho, 2006. (A cor da cultura)
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Dos alimentos puramente africanos
DOS ALIMENTOS PURAMENTE AFRICANOS
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São estes os principais alimentos de que o africano fazia abundantemente uso, entre nós, e são, hoje em dia, preparados pelos seus descendentes, com a mesma perfeição:
Acaçá
Deita-se o milho com água em vaso bem limpo, isento de quaisquer resíduos, até que se lhe altere a consistência. Nestas condições, rala-se na pedra, passa-se numa peneira ou urupema e, ao cabo de algum tempo, a massa fina adere ao fundo do vaso, pois, nesse processo, se faz uso de água para facilitar a operação.
Escoa-se a água, deita-se a massa no fogo com outra água, até cozinhar em ponto grosso.
Depois, com uma colher de madeira, com que é revolvida no fogo, retiram-se pequenas porções que são envolvidas em folhas de bananeira, depois de ligeiramente aquecidas ao fogo.
Acarajé
A principal substância empregada é o feijão fradinho, depositado em água fria até que facilite a retirada do envoltório exterior, sendo o fruto ralado na pedra.
Isto posto, revolve-se a massa com uma colher de madeira e, quando a massa toma a forma de pasta, adicionam-se-lhe, como temperos, a cebola e o sal ralados.
Depois de bem aquecida uma frigideira de barro, aí se derrama certa quantidade de azeite-de-cheiro (azeite de dendê) e, com a colher de madeira, vão-se deitando pequenos nacos da massa, e com um ponteiro ou garfo são rolados na frigideira até cozer a massa. O azeite é renovado todas as vezes que é absorvido pela massa, a qual toma exteriormente a cor do azeite. Ao acarajé acompanha um molho, preparado com pimenta-malagueta seca, cebola e camarões, moído tudo isso na pedra e frigido em azeite-de-cheiro, em outro vaso de barro.
Arroz-de-hauçá
Cozido o arroz n’água sem sal, mexe-se com a colher de madeira até que se torne delido, formando um só corpo, e, em seguida, adiciona-se um pouco de pó-de-arroz para assegurar a consistência.
Prepara-se, depois, o molho em que entram como substâncias a pimenta-malagueta seca, cebola e camarões, tudo ralado na pedra.
Leva-se o molho ao fogo com azeite-de-cheiro e um pouco d’água, até que esta se evapore.
Como complemento ao arroz-de-hauçá, o africano frigia pequenos pedaços de carne de charque que eram espalhados sobre o arroz juntamente com o molho.
Efó
Corta-se a folha conhecida vulgarmente por língua de vaca ou a mostarda e deita-se ao fogo a ferver com pouca água. Isto feito, escoa-se a água, espreme-se a massa daí resultante e coloca-se de novo na mesma vasilha com cebola, sal, camarões, pimenta-malagueta seca, tudo ralado conjuntamente na pedra, e, finalmente, o azeite-de-chieiro.
Prepara-se também o efó com peixe assado, ou com garoupa, caso em que esta é cozida à parte.
Ainda mais: como o peixe é assado sem sal, ralam-se os respectivos temperos, em quantidade suficiente, e leva-se tudo ao fogo. O africano empregava ainda a folha de taioba no preparo do efó.
Caruru
Em seu preparo observa-se o mesmo processo do efó, podendo ser feito de quiabos, mostarda ou de taioba, ou de oió, ou de outras gramíneas que a isso se prestem, como sejam as folhas dos arbustos conhecidos, nesta capital (Bahia), por unha-de-gato, bertalha, bredo de Santo Antônio, capeba, etc., às quais se adicionam a garoupa, o peixe assado ou a carne de charque e um pouco d’água que se não deixa secar ao fogo. O caruru é ingerido com acaçá ou farinha de mandioca.
Ecuru
Preparado o feijão fradinho como se fez com o acarajé, coloca-se pequena quantidade em folhas de bananeira, à maneira do acaçá, e cozinha-se em banho-maria, isto é, sobre gravetos colocados no interior de uma panela com água.
Depois de pronta, a massa é diluída em mel de abelhas ou num pouco de azeite-de-cheiro com sal.
É uma verdadeira farofa.
Xin-xin
Morta a galinha, depena-se, lava-se bem, depois de retirados os intestinos, e corta-se em pequenos pedaços.
Deitam-se na vasilha ou panela para cozinhar com sal, alho e cebola ralados.
Logo que a galinha estiver cozida, adicionam-se camarões secos em quantidade, sal, se for preciso, cebola, sementes ou pevides de abóbora ou melancia, tudo ralado na pedra, e o azeite-de-dendê.
Bolas de inhame
Despido da casca, lava-se o inhame com limão e coze-se com pouco sal. Em seguida é pisado em pilão e da massa se formam bolas grandes, que são servidas com caruru ou efó.
Bobó de inhame
Corta-se o inhame em pequenos pedaços, leva-se ao fogo com água e finalmente tempera-se com o efó.
Feijão de azeite (humulucu)
Cozido o feijão fradinho, tempera-se com cebola, sal, alguns camarões, sendo todas estas substâncias raladas na pedra, adicionando-se, ao mesmo tempo, o azeite de cheiro.
A iguaria só é retirada do fogo depois de cozidos os temperos.
Aluá
O milho demorado n’água, depois de três dias, dá a esta um sabor acre, de azedume, pela fermentação. Coa-se a água, adicionam-se pedaços de rapadura e, diluída esta, tem-se bebida agradável e refrigerante.
Pelo mesmo processo se prepara o aluá ou aruá da casca do abacaxi.
Dengué
É o milho branco cozido, ao qual se junta um pouco de açúcar.
Ebó
É preparado com milho branco pilado. Depois de cozido, certas tribos africanas adicionavam-lhe azeite-de-cheiro e outras o ori.
Outro processo: misturam-se o milho e o feijão fradinho torrado e, com um pouco d’água, deitam-se a ferver; depois, juntam-se dal e azeite-de-cheiro.
Latipá ou Amori
Era feito com as folhas inteiras da mostardeira, as quais, depois de fervidas, temperavam como o efó e deitavam em frigir no azeite-de-cheiro.
Abará
Põe-se o feijão fradinho em vaso com água até que permita desprendê-lo da casca, e depois de ralado na pedra com cebola e sal, junta-se um pouco de azeite-de-cheiro, revolvendo-se tudo com uma colher de madeira.
Finalmente, envolvem-se pequenas quantidades em folhas de bananeira, como se faz com o acaçá, e coze-se a banho-maria.
Aberém
Prepara-se o milho como se fora para o acaçá e dele se fazem umas bolas semelhantes às de bilhar, que são envolvidas em folhas secas de bananeira, aproveitando-se a fibra que se retira do tronco para atar o aberém.
É servido com caruru e também com mel de abelhas.Dissolvido n’água com açúcar, é excelente refrigerante.
Havia ainda o aberém preparado com açúcar, cujas bolas, do tamanho de um limão, eram ingeridas sem outro qualquer elemento adocicado.
Massa
Rala-se o arroz, cozinha-se e formam-se pequenas bolas que se envolvem em polvilho de arroz. São também refrigerantes, dissolvidas em água com açúcar.
O preto muçulmano, porém, frigia estas bolas de arroz no azeite-de-cheiro, ou no mel de abelhas, constituindo essa iguaria verdadeira preciosidade, em suas cerimônias religiosas.
Ipete
O inhame descascado, cortado miúdo, fervido até perder a consistência, é temperado com azeite-de-cheiro, camarões, cebola e pimenta, estes últimos ralados na pedra.
Ado
É o milho torrado reduzido a pó e temperado com azeite-de-cheiro, podendo-se-lhe juntar o mel de abelhas.
Olubó
Descacscada e cortada a raiz da mandioca, em fatias muito delgadas, são estas postas a secar ao sol.
Na ocasião precisa, são essas fatias levadas ao pilão, e aí trituradas e passadas em peneira ou urupema. A água a ferver, derramada sobre o pó, produz o olubó, que é uma espécie de pirão.
Oguedê
É a banana denominada da terra frita no azeite-de-cheiro.
Efun-oguedê
Prepara-se com a banana de São Tomé, não amadurecida de todo, descascada, cortada em fatias e deitada ao sol para secar.
Dias depois pisa-se, no pilão, passa-se na peneira e obtém-se a farinha chamada – efun-oguedê.
Éran-patere
É um naco de carne verde, bem fresca, salgada e frita no azeite-de-cheiro.
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Os africanos ainda condimentavam as suas refeições com o ataré (pimenta-da-costa), em quantidade muito reduzida; com o iru, fava de um centímetro de diâmetro, usada em quantidade diminuta; com o pejerecum ou bejerecum, outra fava de quatro centímetros de comprimento por dez milímetros de espessura, empregada no tempero do caruru; com o ierê, semente semelhante à do coentro e usada como tempero do caruru, do peixe e da galinha.
Faziam ainda os africanos largo emprego do egussi (pevide de abóbora ou melancia) no condimento de certas iguarias.
O africano, em geral, era sóbrio no uso de bebidas alcoólicas; não se davam ao vício da embriaguez, mas no dendezeiro extraíam generoso vinho.
Para esse fim, na parte superior do tronco dessa palmeira, faziam uma incisão e colocavam um pedaço de bambu para servir de escoadouro da seiva. Ao líquido que caía em uma cabaça aí amarrada, davam o nome de vinho de dendê.
Posteriormente, na Bahia, foi o vinho posto a fermentar e filtrado antes de engarrafado, e isso lhe imprimia certa potência alcoólica e característica, sem embargo do paladar agradável e saboroso.
(QUERINO, Manuel. A arte culinária na Bahia. In. CARNEIRO, Edison. Antologia do negro brasileiro. Ediouro)
Texto retirado do site www.jangadabrasil.com.br
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O evento aconteceu na Praça da Piedade em homenagem aos heróis do que ficou conhecida como “Conjuração Baiana”, Revolta dos Búzios”, “Revolta dos Alfaiates” ou “Revolta das Argolinhas”. A Praça da Piedade tem um significado especial porque foi lá que os principais personagens da “Revolta dos Búzios” foram torturados e mortos. O dia 12 de agosto ficou instituído pela Câmara Municipal de Salvador como o dia para lembrar desses heróis (Manoel Faustino, João de Deus, Lucas Dantas e Luís Gonzaga) que lutaram contra o preconceito e por um país melhor.
A Escola Eugênia Anna dos Santos participou do evento com o Grupo de Dança e Teatro e com o Grupo de Música.
Fotos baixadas da página da Secretaria de Educação: http://www.smec.salvador.ba.gov.br/site/galeria-imagens.php
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